Entrego-me ao pensamento.
Exógenos ruídos são leve zuir.
Esqueço o tempo, cada momento,
Deixo a calmia fluir
Como um rio sem ondas ao mar
Cujas águas, em cada margem,
Se aninham a descansar.
Sigo numa estranha viagem
Por um longo caminho inane,
Sem odor, sem sabor, sem paisagem,
Repleto de um vazio imane.
Não há noite, não há tarde, não há manhã
Onde a luz e a treva são mera vacuidade
Dum mundo em disputa vã
Entre o bem e o mal; a mentira e a verdade.
Enche-se-me de paz o coração.
Não sei se bate, pois deixou de ser,
Já tão longe da emoção.
A cor? Deixei de ver.
A canção? Deixei de ouvir.
O sabor? Deixou-se-me de saber.
O cheiro? Deixei de cheirar.
O sentimento? Deixou-se-me de sentir
Como o tacto que me faz tocar.
Somente medito.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Explosão
Estrondo! Clarão!
Corpos queimados, caídos no chão!
Fogo, força furiosa
Em disputa desditosa.
Explosão... entretenimento
A dar cor ao firmamento.
Dicotomia tamanha!
Antítese estranha!
Corpos queimados, caídos no chão!
Fogo, força furiosa
Em disputa desditosa.
Explosão... entretenimento
A dar cor ao firmamento.
Dicotomia tamanha!
Antítese estranha!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Já fui
Já fui pintor e escultor,
Jardineiro e electricista.
Já fui médico e doutor
Vestido de alpinista.
Já fui um grande atleta
A correr e a saltar.
Já fui lâmpada e gaveta,
Uma vaca a barregar.
Já fui pato, astronauta,
Um peão num rodopio.
Jã fui notas numa pauta
Saídas dum assobio.
Já fui mesa, fui cadeira,
Fui um forno microondas.
Fui linho de fiadeira
Desfiado pelas pontas.
Já fui corda de amarrar
Navios ao cais do porto.
Fui um carro p'ra arranjar,
Um burro direito e torto.
Fui travesti elegante
Bem vestido, já fui nassa.
Fui tromba de elefante
Com pescoço de girafa.
Fui arco de violino
Rangendo uma corda velha.
Fui idoso, fui menino,
Fui caco velho de telha.
Já fui um anjo com asas,
Um santo feito de pau.
Já fui construtor de casas
Com rabos de carapau.
Fui doente, operário
C'um penico na cabeça
Fui mula, fui dromedário
Fui lesma de baba espessa.
Fui bebé, levei babetes,
Babando-me, divertido,
Também levei cotonetes
P'ró cerume do ouvido.
Já fui ralo e torneira,
Já fui pia, já fui cano.
Já fui rede, fui peneira
E uma boneca de pano.
Fui juíz, advogado,
Engenheiro e maquinista.
Fui jovem embriagado,
Fui uma tela de artista.
Já levei uma gabardina
Com uma cor bem vistosa.
Levei calças rotas de ardina,
Andei com o cú à mostra.
Já fui pedreiro, fui trolha,
Fui parede de tijolo.
Fui garrafa, também rolha,
Arrulhando como um tolo.
Cortei umas rodas às cores
Com cada, uma folha fiz
P'ra disfarçar-me de flores,
Um jardim lindo e feliz.
Já fui de cavalo aos trotes,
Cavalgando sem receio
Ladeado por dois potes
Uma vazio e outro cheio.
Uma vez levei pijama
E uns chinelos de interior.
Ia deitado na cama
Coberto c'um cobertor.
Já fui guarda, fui polícia,
Fui drogado e vagabundo.
Já fiz parte da milícia
Que dava cabo do mundo.
Fui tarelo, tagarela,
Padeiro e cozinheiro.
Fui vestido de panela,
De talheres e de faqueiro.
Fui bombeiro de machado
Com umas botas de borracha.
Fui leite achocolatado,
Fui biscoito, fui bolacha.
Já fui súbdito, já fui rei
Já fui nave espacial
Já fui tanto, já nem sei,
Nos dias de carnaval.
Jardineiro e electricista.
Já fui médico e doutor
Vestido de alpinista.
Já fui um grande atleta
A correr e a saltar.
Já fui lâmpada e gaveta,
Uma vaca a barregar.
Já fui pato, astronauta,
Um peão num rodopio.
Jã fui notas numa pauta
Saídas dum assobio.
Já fui mesa, fui cadeira,
Fui um forno microondas.
Fui linho de fiadeira
Desfiado pelas pontas.
Já fui corda de amarrar
Navios ao cais do porto.
Fui um carro p'ra arranjar,
Um burro direito e torto.
Fui travesti elegante
Bem vestido, já fui nassa.
Fui tromba de elefante
Com pescoço de girafa.
Fui arco de violino
Rangendo uma corda velha.
Fui idoso, fui menino,
Fui caco velho de telha.
Já fui um anjo com asas,
Um santo feito de pau.
Já fui construtor de casas
Com rabos de carapau.
Fui doente, operário
C'um penico na cabeça
Fui mula, fui dromedário
Fui lesma de baba espessa.
Fui bebé, levei babetes,
Babando-me, divertido,
Também levei cotonetes
P'ró cerume do ouvido.
Já fui ralo e torneira,
Já fui pia, já fui cano.
Já fui rede, fui peneira
E uma boneca de pano.
Fui juíz, advogado,
Engenheiro e maquinista.
Fui jovem embriagado,
Fui uma tela de artista.
Já levei uma gabardina
Com uma cor bem vistosa.
Levei calças rotas de ardina,
Andei com o cú à mostra.
Já fui pedreiro, fui trolha,
Fui parede de tijolo.
Fui garrafa, também rolha,
Arrulhando como um tolo.
Cortei umas rodas às cores
Com cada, uma folha fiz
P'ra disfarçar-me de flores,
Um jardim lindo e feliz.
Já fui de cavalo aos trotes,
Cavalgando sem receio
Ladeado por dois potes
Uma vazio e outro cheio.
Uma vez levei pijama
E uns chinelos de interior.
Ia deitado na cama
Coberto c'um cobertor.
Já fui guarda, fui polícia,
Fui drogado e vagabundo.
Já fiz parte da milícia
Que dava cabo do mundo.
Fui tarelo, tagarela,
Padeiro e cozinheiro.
Fui vestido de panela,
De talheres e de faqueiro.
Fui bombeiro de machado
Com umas botas de borracha.
Fui leite achocolatado,
Fui biscoito, fui bolacha.
Já fui súbdito, já fui rei
Já fui nave espacial
Já fui tanto, já nem sei,
Nos dias de carnaval.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
O porco do pardieiro
Corria nú pelo pinhal
O porco do pardieiro
Fugia doutro animal
Sempre à volta dum pinheiro.
Dava grunhos de aflição
O porco que ia nú
Levando sovas no lombo
E mordidelas no cú.
Oinc! Oinc! Oinc! Lá ia o porco
A bulir, parecia um doido.
Dava corda ao presunto
P'ra poder salvar o coiro.
O porco do pardieiro
Fugia doutro animal
Sempre à volta dum pinheiro.
Dava grunhos de aflição
O porco que ia nú
Levando sovas no lombo
E mordidelas no cú.
Oinc! Oinc! Oinc! Lá ia o porco
A bulir, parecia um doido.
Dava corda ao presunto
P'ra poder salvar o coiro.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Carta ao meu amor II
Tanto é o amor que aqui deixo
Nestas linhas que te escrevo,
Cada palavra é um beijo,
Cada frase é um desejo,
Meu coração que te entrego.
Ah! Amor que o amor me faz feliz,
Cujo júbilo de mil cantos
São, de querubim, doces cantos
E sorrisos de um petiz
Entregue a tantos encantos.
É.me ardente a paixão que por ti arde
Como a fúria de um trovão no firmamento
Rasgando em raios de luz cada momento
Contigo e me leva ao paraíso, alarde.
És força e fogo do meu alento.
Amo-te na tinta e traço deste aparo
Muito além da saudade que me vela
Sita nas letras que caem sem reparo
Nesta carta, tão londe do teu amparo,
Do brilho do mais bela estrela.
Ah! Poder tocar-te e te ouvir cantar,
Seres-me a mão que me acaricía a tez
Com miríades de ternuras a embalar
E, no teu regaço a dormitar,
Beba, de um trago o mar... talvez!
Nestas linhas que te escrevo,
Cada palavra é um beijo,
Cada frase é um desejo,
Meu coração que te entrego.
Ah! Amor que o amor me faz feliz,
Cujo júbilo de mil cantos
São, de querubim, doces cantos
E sorrisos de um petiz
Entregue a tantos encantos.
É.me ardente a paixão que por ti arde
Como a fúria de um trovão no firmamento
Rasgando em raios de luz cada momento
Contigo e me leva ao paraíso, alarde.
És força e fogo do meu alento.
Amo-te na tinta e traço deste aparo
Muito além da saudade que me vela
Sita nas letras que caem sem reparo
Nesta carta, tão londe do teu amparo,
Do brilho do mais bela estrela.
Ah! Poder tocar-te e te ouvir cantar,
Seres-me a mão que me acaricía a tez
Com miríades de ternuras a embalar
E, no teu regaço a dormitar,
Beba, de um trago o mar... talvez!
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Hoje vi-a
Hoje vi-a
Tão amena como o sal
Num tempero de ternura.
Sorria...
Era um manancial
Ao sol do meio-dia,
Uma visão de candura.
Hoje o seu brilho rutilou
Fino como geleia real
Na língua e nos lábios
Que um beijo beijou,
Bela história de velhos sábios.
Hoje vi-a surgida,
Como a vira nunca antes,
Princesa dos desertos de areias quentes
Numa cidade de oiro perdida.
O encanto dos seus olhos
Tornou-se a doce e cálida fragrância
Duma paveia de fresco pasto
E montes de rosas aos molhos,
O desespero da minha ânsia.
Era um olhar tão terno e casto.
A manhã estava a meio,
O rio ia cheio
Da tempestade de ontem.
Passeava na margem,
Respirando a aragem
Pois livre à rua saí
E então a vi
E me prendi.
Tão amena como o sal
Num tempero de ternura.
Sorria...
Era um manancial
Ao sol do meio-dia,
Uma visão de candura.
Hoje o seu brilho rutilou
Fino como geleia real
Na língua e nos lábios
Que um beijo beijou,
Bela história de velhos sábios.
Hoje vi-a surgida,
Como a vira nunca antes,
Princesa dos desertos de areias quentes
Numa cidade de oiro perdida.
O encanto dos seus olhos
Tornou-se a doce e cálida fragrância
Duma paveia de fresco pasto
E montes de rosas aos molhos,
O desespero da minha ânsia.
Era um olhar tão terno e casto.
A manhã estava a meio,
O rio ia cheio
Da tempestade de ontem.
Passeava na margem,
Respirando a aragem
Pois livre à rua saí
E então a vi
E me prendi.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Poeta só
O sol da meia-noite vai alto,
O do meio-dia já se pôs.
Nocturno gaiato audaz
Diurno, jovial arauto.
As luas são catraias animadas
De quarto em quarto vão
Sempre meninas mimadas
Onde andam, onde estão.
O terceiro tímido sol
Cora-se em arrebol
No mundo roxo doutro mundo,
Planeta no espaço profundo.
Lá vive só com uma caneta
um poeta.
O do meio-dia já se pôs.
Nocturno gaiato audaz
Diurno, jovial arauto.
As luas são catraias animadas
De quarto em quarto vão
Sempre meninas mimadas
Onde andam, onde estão.
O terceiro tímido sol
Cora-se em arrebol
No mundo roxo doutro mundo,
Planeta no espaço profundo.
Lá vive só com uma caneta
um poeta.
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