Escorria-lhe o suor da fronte,
Lábios pelo sol gretados,
Olhos postos no horizonte,
Os dedos dos pés cortados
Levava ao colo um menino,
Inocente e pequenino
Nas areias do deserto.
Para onde ia, ao certo,
Era incógnita do destino.
Às garras do mal fugia,
Se esquivava à tirania
D'alguém déspota e bardino.
Seguia-o, como um cortejo
Bélico, uma multidão
Àquele cuja traição
Iria beber dum beijo.
O homem que o levava,
Levava-o, longe da guerra,
O menino que julgava
Um dia salvar a Terra.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O escolhido
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Candeeiro da esquina
Candeeiro da esquina
Que alumias o caminho,
Alumia-me este escuro
Onde me encontro sozinho.
Candeeiro da esquina
Que alumias a calçada,
Alumia-me este escuro
Pois assim não vejo nada.
Candeeiro da esquina
Que alumias velha quelha,
Alumia-me este escuro
C'oa luz da tua centelha.
Que alumias o caminho,
Alumia-me este escuro
Onde me encontro sozinho.
Candeeiro da esquina
Que alumias a calçada,
Alumia-me este escuro
Pois assim não vejo nada.
Candeeiro da esquina
Que alumias velha quelha,
Alumia-me este escuro
C'oa luz da tua centelha.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Cortesia de rua
Bom dia, dona Maria,
Como tem, moça, pastado?
Como há pasto em demasia,
Muito bem, muito obrigado!
Boa tarde, dão Duarte,
Como tem, senhor, pastado?
Como há pasto em toda a parte,
Muito bem, muito obrigado!
Boa noite, dona Maria,
Como tem, moça, pastado?
Incauta, quase comia
Pasto ruim: seco e estragado!
Como tem, moça, pastado?
Como há pasto em demasia,
Muito bem, muito obrigado!
Boa tarde, dão Duarte,
Como tem, senhor, pastado?
Como há pasto em toda a parte,
Muito bem, muito obrigado!
Boa noite, dona Maria,
Como tem, moça, pastado?
Incauta, quase comia
Pasto ruim: seco e estragado!
sábado, 12 de março de 2011
Sonhando com o mesmo amor
Porque ainda mais se cansam
Os teus cansados olhos de chorar?
Porque o meu coração tanto ama
A quem já não posso amar.
Como te assola tão vil demónio,
Essa dor que fere e punge a alma?
S'amarrou meu amor
Com laços de matrimónio.
Só a morte me trará calma.
Porque não segues adiante,
Procuras um amor diferente
E deixas a dor no passado?
Porque o sofrimento é constante
De quem está sempre presente
Mesmo quando ausentado.
Porque ao teu frio leito
Não o aquece um outro alguém?
Porque lugar no meu peito
Não sobra para mais ninguém.
Tomei o café e saí
Pois a hora girava a mó.
Desde então, não mais a vi.
Levava-lhe a idade o verdor
Para acabar só,
Sonhando com o mesmo amor.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Razão do meu desejo
Num dia quente de sol e fragrância amena
S'encantou meu coração num mero olhar.
Corada de arrebol e distinta pele morena,
Fina flor de açucena do meu sonhar.
No meu peito, amigo, se inflamou,
Do seu sorriso d'alma airosa e ladina,
Dos seus jeitos e trejeitos de menina,
O amor perdido que, então, se encontrou.
E ora, olhando o céu, rente à noitinha,
Espreitam estrelas cuja paz almejo,
M'apoquenta a guerra, inquietação minha,
Como o mar quando se agita ao vento frio.
Sou folha seca atirada ao desvario.
Sabes... Ela é o mundo e a razão do meu desejo.
sábado, 25 de dezembro de 2010
O Rei nasceu
Pegureiros olhavam no céu
Uma luz no frio negro.
O Rei nasceu
Sem castelos, sem muralhas,
Para alcançar grandes vitórias
Sem o sangue das batalhas.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Uma história d'antes
A noite ia alta e crepitava,
Na lareira acesa,
Uma história que se contava
Dum livro aberto sobre a mesa.
O luar, à janela, espreitava
Por entre núvens e um galho que lhe batia,
De leve, na sobranceira elevada.
Aquilo que o avô lhe lia,
Os velhos tempos lembrava,
Belos contos de magia
Nos serões de nostalgia,
Ao neto que o escutava.
Dizia-lhe, com voz de sabedoria:
Nos muitos séculos que passaram,
Muitas guerras se travaram
Moldando o mundo de agora.
Hoje a história não é mágica,
Encanto que te adormece,
São histórias da História,
Da História dura e trágica
Que, como a noite fria lá fora,
Cada vez, mais se enegrece.
O neto fitava-o estarrecido,
Pois, para o Homem, a glória
É inglória dum homem embrutecido.
Na lareira acesa,
Uma história que se contava
Dum livro aberto sobre a mesa.
O luar, à janela, espreitava
Por entre núvens e um galho que lhe batia,
De leve, na sobranceira elevada.
Aquilo que o avô lhe lia,
Os velhos tempos lembrava,
Belos contos de magia
Nos serões de nostalgia,
Ao neto que o escutava.
Dizia-lhe, com voz de sabedoria:
Nos muitos séculos que passaram,
Muitas guerras se travaram
Moldando o mundo de agora.
Hoje a história não é mágica,
Encanto que te adormece,
São histórias da História,
Da História dura e trágica
Que, como a noite fria lá fora,
Cada vez, mais se enegrece.
O neto fitava-o estarrecido,
Pois, para o Homem, a glória
É inglória dum homem embrutecido.
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