A selecção
É orgasmo, é orgia
É bacanal, é folia,
É festa, é tesão
Em frente à televisão.
O esférico canta
Nos pés dos marretas,
Chevainos e chianos
Armados em vedetas,
Batendo nas malhas da manta.
Gritam: golo! Golo!
Orgulho nacional:
Cada pancada, cada tolo!
Viva Portugal!
Gritam num berro masturbado
Dum deleite libido
Sucando côcos até ao engasgo,
Sumo seminal.
Soltam um gemido
Lascivo de prazer.
Quando entra, entra a doer!
Ficam pêlos púbicos erectos
Enriçando-se em treliça
A formar ângulos rectos
Ao ver-se a bola na baliza.
Se falha o devasso,
O golo que não vem
E o tempo é escasso
Não cai nada bem...
Erro crasso
Tarda o orgasmo,
Dá-se um marasmo,
Mói e remói o dói-dói
Até ao espasmo.
Então, espuma-se esperma pela boca,
A sorte pouca
E aí é que dói,
O árbitro é que rouba,
Tem pouca roupa.
Dá-se a ejaculação
Com grande precipitação.
Voam perdigotos, como espermatozóides
Megulhados nas trompas
A correr ao desvario.
Quanta desilusão!
Fica tudo de trombas,
E de caras amonóides.
É um arrepio,
Ouve-se o assobio.
Acaba-se a tesão,
O orgasmo, a orgia,
O bacanal e a folia
Em frente à televisão.
Lá vem a selecção.
Traz uma faixa
E um lenço de mão.
Volta a toque de caixa,
Ao som de pianos,
Com um dedo no ânus.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Viva a democracia
Jazem corpos mutilados, decepados, chacinados
Nas vítreas areias do deserto, ermo de vida.
Outrora homens, outrora bichos, outrora mar de gente
Saltavam, corriam, brincavam, sonhavam veemente.
Pululavam de esperança numa paz crida.
Agora...pedaços de carne pútrida, corpos inanimados
Cobrem ruínas esquecidas em padrões erráticos.
Dizimados por tecnocratas, lacaios de timocratas,
Por seres ensandecidos apelidados de democratas
Prostram-se por terra, desfigurados, apáticos.
Funestos seres que augam pelo poder como cães raivosos
E são senhores de megalómanos dispositivos bélicos
Matam, esfolam, trucidam sem piedade, os impiedosos.
Democráticas armas que não escolhem cor, etnia ou religião
Rebentam, estouram, são portadoras da destruição
Deixando os que vivem em prantos mélicos.
No podre remanescente chafurdam esses necrófagos porcos,
Alimentando-se da carne decomposta e do sangue já frio.
Ensaboam-se nas notas da sua própria ganância
Deleitando-se, infandos, como éguas com cio.
Cantam e dançam num frenesim com pomposa arrogância
E com roncos esganiçados mugem com hipocrisia
Viva a democracia! Viva a democracia!
Sérgio O. Marques
Nas vítreas areias do deserto, ermo de vida.
Outrora homens, outrora bichos, outrora mar de gente
Saltavam, corriam, brincavam, sonhavam veemente.
Pululavam de esperança numa paz crida.
Agora...pedaços de carne pútrida, corpos inanimados
Cobrem ruínas esquecidas em padrões erráticos.
Dizimados por tecnocratas, lacaios de timocratas,
Por seres ensandecidos apelidados de democratas
Prostram-se por terra, desfigurados, apáticos.
Funestos seres que augam pelo poder como cães raivosos
E são senhores de megalómanos dispositivos bélicos
Matam, esfolam, trucidam sem piedade, os impiedosos.
Democráticas armas que não escolhem cor, etnia ou religião
Rebentam, estouram, são portadoras da destruição
Deixando os que vivem em prantos mélicos.
No podre remanescente chafurdam esses necrófagos porcos,
Alimentando-se da carne decomposta e do sangue já frio.
Ensaboam-se nas notas da sua própria ganância
Deleitando-se, infandos, como éguas com cio.
Cantam e dançam num frenesim com pomposa arrogância
E com roncos esganiçados mugem com hipocrisia
Viva a democracia! Viva a democracia!
Sérgio O. Marques
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