A Ana comeu a banana
Que era do seu namorado.
Tinha casca, a banana
Mas era bem do seu agrado.
Comeu o fruto que adora
E a casca deitou fora.
Passa um homem vivaço
Do espaço sideral.
Escorrega, cai no chão
Vai parar ao hospital
E leva uma injecção
No braço.
Também passa uma velha
Que já via muito mal.
Escorrega, cai no chão,
Vai parar ao hospital
E leva uma injecção
Na telha.
Logo atrás passa um velho
Com andar especial.
Escorrega, cai no chão,
Vai parar ao hospital
E leva uma injecção
No joelho.
A seguir passa o ladino José
Com casaco de cabedal.
Escorrega, cai no chão,
Vai parar ao hospital
E leva uma injecção
No pé.
Por fim passa a Tininha
Com aquele jeito fatal.
Escorrega, cai no chão,
Vai parar ao hospital
E leva uma injecção
Na espinha.
Era uma casca matreira,
A casca que a Ana lançou
No sopé duma sobreira...
Tanta gente escorregou.
Sérgio O. Marques
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sexta-feira, 18 de julho de 2008
quinta-feira, 12 de junho de 2008
O burro pintor
Andava azafamado burro
Com tinta de vivas cores
Na berma, a pintar o muro
Que dava para o lado da rua.
À margem, comentavam os doutores
Da engenharia do momento:
-Mas que obra essa tua,
Sem qualquer planeamento!
Diziam o boi, o bode e a cabra.
O cão, esse, não se manifestava,
Achava a pintura engraçada
De tons garridos sem condizer.
Luzia o sol do meio-dia
A crestar as carapinhas
Das pombas e das galinhas
E de toda a bicharia.
-Vou para dentro, vou comer.
Falava o burro aos engenheiros.
-Aqui ninguém quero encostado
Porque a pintura está fresca.
Não quero isto estragado,
Ou então vamos ter festa.
Asseverava com relinchos certeiros.
Gozava o burro, o boi
A limpar o suor da testa.
Nesse instante, o burro foi,
Logo os outros o seguiram,
Para almoçar, indo se foram.
Muito não tarda, passa o porco
Com um andar taralhouco
Arrimando-se á parede pintada
Degustando uma cigarrada.
Quando este segue viagem,
Deixa a parede cunhada
Com uma aterradora estampagem.
Logo que o boi chega, chega o burro
E apreciam tamanha obra.
-Isso foi a última vez!
Grita, com ira de sobra
E defere o burro ao boi um murro.
Estava o boi inocente
A pagar pelo que não fez.
Irascível, num repente,
Responde, à altura, à marrada
Armando-se, assim, um reboliço.
Por eles passa o porco
Com o mesmo andar taralhouco.
Trazia nas costas um castiço
Desenho de muitas cores
A causar inveja a senhores.
Foi a criatura injustiçada
No reino da bicharada.
Sérgio O. Marques
Com tinta de vivas cores
Na berma, a pintar o muro
Que dava para o lado da rua.
À margem, comentavam os doutores
Da engenharia do momento:
-Mas que obra essa tua,
Sem qualquer planeamento!
Diziam o boi, o bode e a cabra.
O cão, esse, não se manifestava,
Achava a pintura engraçada
De tons garridos sem condizer.
Luzia o sol do meio-dia
A crestar as carapinhas
Das pombas e das galinhas
E de toda a bicharia.
-Vou para dentro, vou comer.
Falava o burro aos engenheiros.
-Aqui ninguém quero encostado
Porque a pintura está fresca.
Não quero isto estragado,
Ou então vamos ter festa.
Asseverava com relinchos certeiros.
Gozava o burro, o boi
A limpar o suor da testa.
Nesse instante, o burro foi,
Logo os outros o seguiram,
Para almoçar, indo se foram.
Muito não tarda, passa o porco
Com um andar taralhouco
Arrimando-se á parede pintada
Degustando uma cigarrada.
Quando este segue viagem,
Deixa a parede cunhada
Com uma aterradora estampagem.
Logo que o boi chega, chega o burro
E apreciam tamanha obra.
-Isso foi a última vez!
Grita, com ira de sobra
E defere o burro ao boi um murro.
Estava o boi inocente
A pagar pelo que não fez.
Irascível, num repente,
Responde, à altura, à marrada
Armando-se, assim, um reboliço.
Por eles passa o porco
Com o mesmo andar taralhouco.
Trazia nas costas um castiço
Desenho de muitas cores
A causar inveja a senhores.
Foi a criatura injustiçada
No reino da bicharada.
Sérgio O. Marques
domingo, 18 de maio de 2008
Quando o burro foi ao médico
Quando o burro foi ao médico,
Vestia-se bem a rigor
Para se mostrar ao doutor.
Trazia umas calças de fazenda
E um elegante casaco sérico
De fazer grande furor.
Queixa-se com aflição:
-Senhor doutor,
É mui dura esta senda,
Não suporto esta dor.
Dói-me o tórax, a barriga,
O abdómen e o coração.
A garganta não arriba,
Nem o rim, nem o pulmão.
Na cabeça tenho dores,
Sinto nos músculos fadiga
E dos membros inferiores,
Já nem sei o que lhe diga.
Nos olhos tenho ramela,
Nos ouvidos, uma maleita
Que não sei a causa dela,
Pois que tanto cerume deita.
Returque o galeno apreensivo
Com uma ar de entendido:
- Sofrerá o senhor de apoplexia
E à mistura, hipertensão.
Juntamente com a hipotonia
Fustigam músculos e coração.
Na garganta, deve ser gripe
Nos olhos, conjuntivite
E nos ouvidos, uma otite,
Uma séria inflamação.
Diz o burro preocupado:
- Senhor doutor, estou tramado!
-Caro amigo, não se apoquente.
Diz o médico ao paciente:
-Para todo esse mal...
Falava com ostentação.
-Eis aqui uma panaceia,
Com cariz universal
Que a tudo remedeia.
É da última geração.
Continua, o médico, com atitude:
-É o elixir da juventude.
Mesmo que não o rejuvenesça,
Lhe cura essa doença.
Entrega ao burro, o doutor
Um copo cheio de líquido
Sem cheiro e sabor insípido.
-Senhor burro, beba tudo.
Diz o doutor com ar sisudo.
-Beba tudo até findar
Que isso é para o curar.
Passado um dia...
Grita o burro atarantado:
-Olha que bom, estou curado,
Sem mazela ou qualquer mágoa.
Mostrava uma grande alegria.
Tinha sido o burro sanado
Com um simples copo de água.
Foi mais uma criatura curada
No reino da bicharada.
Vestia-se bem a rigor
Para se mostrar ao doutor.
Trazia umas calças de fazenda
E um elegante casaco sérico
De fazer grande furor.
Queixa-se com aflição:
-Senhor doutor,
É mui dura esta senda,
Não suporto esta dor.
Dói-me o tórax, a barriga,
O abdómen e o coração.
A garganta não arriba,
Nem o rim, nem o pulmão.
Na cabeça tenho dores,
Sinto nos músculos fadiga
E dos membros inferiores,
Já nem sei o que lhe diga.
Nos olhos tenho ramela,
Nos ouvidos, uma maleita
Que não sei a causa dela,
Pois que tanto cerume deita.
Returque o galeno apreensivo
Com uma ar de entendido:
- Sofrerá o senhor de apoplexia
E à mistura, hipertensão.
Juntamente com a hipotonia
Fustigam músculos e coração.
Na garganta, deve ser gripe
Nos olhos, conjuntivite
E nos ouvidos, uma otite,
Uma séria inflamação.
Diz o burro preocupado:
- Senhor doutor, estou tramado!
-Caro amigo, não se apoquente.
Diz o médico ao paciente:
-Para todo esse mal...
Falava com ostentação.
-Eis aqui uma panaceia,
Com cariz universal
Que a tudo remedeia.
É da última geração.
Continua, o médico, com atitude:
-É o elixir da juventude.
Mesmo que não o rejuvenesça,
Lhe cura essa doença.
Entrega ao burro, o doutor
Um copo cheio de líquido
Sem cheiro e sabor insípido.
-Senhor burro, beba tudo.
Diz o doutor com ar sisudo.
-Beba tudo até findar
Que isso é para o curar.
Passado um dia...
Grita o burro atarantado:
-Olha que bom, estou curado,
Sem mazela ou qualquer mágoa.
Mostrava uma grande alegria.
Tinha sido o burro sanado
Com um simples copo de água.
Foi mais uma criatura curada
No reino da bicharada.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Quando a vaca entra
Estava o bode no tasco
A beber vinho dum frasco
E a conversar com a cabra.
Diz o bode, apontando a porta:
-Se por ali entrar uma vaca,
Deixo-vos sem me despedir.
Mostrava-se intrigada a porca
Com o que acabava de ouvir.
O bode então continuou:
-Se a vaca vier, eu vou.
-Quiçá
A vaca não venha e eu não vá.
Quando for assim, vós já sabeis porquê.
-O quê?
Questiona a cabra apreensiva.
Naquele insante
Entra a vaca esbaforida.
O bode sai
E sem se despedir, lá vai.
Sai sem dizer mais nada.
Para trás, ficaram a porca mais a cabra
E a vaca.
Foi uma cena deveras intrigante
No reino da bicharada.
A beber vinho dum frasco
E a conversar com a cabra.
Diz o bode, apontando a porta:
-Se por ali entrar uma vaca,
Deixo-vos sem me despedir.
Mostrava-se intrigada a porca
Com o que acabava de ouvir.
O bode então continuou:
-Se a vaca vier, eu vou.
-Quiçá
A vaca não venha e eu não vá.
Quando for assim, vós já sabeis porquê.
-O quê?
Questiona a cabra apreensiva.
Naquele insante
Entra a vaca esbaforida.
O bode sai
E sem se despedir, lá vai.
Sai sem dizer mais nada.
Para trás, ficaram a porca mais a cabra
E a vaca.
Foi uma cena deveras intrigante
No reino da bicharada.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
A jantarada
Decidiu-se, num certo dia,
Comer, o burro, contraplacado.
Só farpas de burro se via
Por tudo quanto era lado.
O boi que mal esperava
Por devorar dinamite
Sempre que este se peidava
Atingia os cento e vinte.
O cão que era destemido,
Por aquilo que se diz,
Comia urânio empobrecido
E tirava raios X.
A comer barro a galinha
Com tanta gula de esgana
Cagava jarras em linha
Da mais fina porcelana.
O porco que era chorudo
E se fazia de amável
Comia cós de veludo
Para um cagar confortável.
A burra e a vaca bebiam
Copos com águas de rosas.
Assim sempre expeliam
Umas bufas bem cheirosas.
Por agora me despeço
Depois desta jantarada.
É só gente de dar apreço
No reino da bicharada.
Sérgio O. Marques
Comer, o burro, contraplacado.
Só farpas de burro se via
Por tudo quanto era lado.
O boi que mal esperava
Por devorar dinamite
Sempre que este se peidava
Atingia os cento e vinte.
O cão que era destemido,
Por aquilo que se diz,
Comia urânio empobrecido
E tirava raios X.
A comer barro a galinha
Com tanta gula de esgana
Cagava jarras em linha
Da mais fina porcelana.
O porco que era chorudo
E se fazia de amável
Comia cós de veludo
Para um cagar confortável.
A burra e a vaca bebiam
Copos com águas de rosas.
Assim sempre expeliam
Umas bufas bem cheirosas.
Por agora me despeço
Depois desta jantarada.
É só gente de dar apreço
No reino da bicharada.
Sérgio O. Marques
terça-feira, 18 de março de 2008
Barraca armada
Certo lindo dia de sol...
-Bom dia senhor boi! - disse afamado burro
Rasgando um sorriso jovial.
-Bom dia senhor burro! - Returquiu o boi.
Seguia ufano, num trajar banal.
Enrubesceu o burro, pôs-se todo de arrebol:
-Venha cá que eu lhe esmurro
Essa fofa carinha de boi!
Se pensa que me insulta
E me chama de burro,
Afinfo-lhe como gente adulta
Para ver como lhe dói.
-Venha daí, senhor burro
Para lhe dizer como é
E lhe contar como foi.
Desatou ou burro à chapada,
Bofetada e estalada.
Respondeu o boi à cornada
Armando-se logo um banzé.
No meio de algazarras e gritos
Acordaram os cães preguiçosos
E os porcos que são medrosos
Corriam por aí aflitos.
Palrava a galinha emproada:
-Mas que corja mal-educada!
Mugia paparrotices a vaca
Desenfreada, estava maluca.
A burra permanecia calada
Mais valia não fazer nada
Para não estragar a peruca
E seu penteado de laca.
Logo foi barraca armada
No reino da bicharada.
-Bom dia senhor boi! - disse afamado burro
Rasgando um sorriso jovial.
-Bom dia senhor burro! - Returquiu o boi.
Seguia ufano, num trajar banal.
Enrubesceu o burro, pôs-se todo de arrebol:
-Venha cá que eu lhe esmurro
Essa fofa carinha de boi!
Se pensa que me insulta
E me chama de burro,
Afinfo-lhe como gente adulta
Para ver como lhe dói.
-Venha daí, senhor burro
Para lhe dizer como é
E lhe contar como foi.
Desatou ou burro à chapada,
Bofetada e estalada.
Respondeu o boi à cornada
Armando-se logo um banzé.
No meio de algazarras e gritos
Acordaram os cães preguiçosos
E os porcos que são medrosos
Corriam por aí aflitos.
Palrava a galinha emproada:
-Mas que corja mal-educada!
Mugia paparrotices a vaca
Desenfreada, estava maluca.
A burra permanecia calada
Mais valia não fazer nada
Para não estragar a peruca
E seu penteado de laca.
Logo foi barraca armada
No reino da bicharada.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
No carnaval
Neste dia
De euforia
Divertem-se os foliões.
Inebriam-se,
Extasiam-se,
Viciam-se multidões.
Vão doentes,
E tenentes,
E até mesmo astronautas.
Vão figuras,
Partituras,
Vão batutas e vão pautas.
Vão martelos,
Cogumelos,
Calçados ou de chinelos.
Vão heróis
E caracóis
Debaixo de guarda-sóis.
As meninas
pequeninas
São fadas encantadoras.
E os meninos,
muito finos
Têm piadas embaidoras.
As senhoras
Sedutoras
Dão ares de virilidade
E os senhores,
Que são doutores,
Versam feminilidade.
Os bebés
Levam bonés
Com flores de papelão.
Dobram, velhos,
Os joelhos
Para não irem ao chão.
Os sorrisos
Coloridos
Nos semblantes das crianças
Ditam mitos
Contam ditos
Trazem-me boas lembranças.
Pulam, saltam,
Bailam, dançam,
Alegres num frenesi.
Sem demora
Vou-me embora
Pois eu não pertenço aqui.
De euforia
Divertem-se os foliões.
Inebriam-se,
Extasiam-se,
Viciam-se multidões.
Vão doentes,
E tenentes,
E até mesmo astronautas.
Vão figuras,
Partituras,
Vão batutas e vão pautas.
Vão martelos,
Cogumelos,
Calçados ou de chinelos.
Vão heróis
E caracóis
Debaixo de guarda-sóis.
As meninas
pequeninas
São fadas encantadoras.
E os meninos,
muito finos
Têm piadas embaidoras.
As senhoras
Sedutoras
Dão ares de virilidade
E os senhores,
Que são doutores,
Versam feminilidade.
Os bebés
Levam bonés
Com flores de papelão.
Dobram, velhos,
Os joelhos
Para não irem ao chão.
Os sorrisos
Coloridos
Nos semblantes das crianças
Ditam mitos
Contam ditos
Trazem-me boas lembranças.
Pulam, saltam,
Bailam, dançam,
Alegres num frenesi.
Sem demora
Vou-me embora
Pois eu não pertenço aqui.
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