Ó Humanidade,
De andar erecto insolente,
Das espécies déspota prepotente
És a vanglória da vaidade.
Ó Humanidade desumana,
De onde o saber emana,
Esquecido o coração
Conheces os segredos da morte
E causas destruição.
Será triste a tua sorte.
Ó Humanidade insensata,
Revê-te na tua história:
Na guerra não há glória,
No ódio não há perdão.
Não vês que isso te mata?
Ó Humanidade, a arrogância,
Os ditames da ganância
São a tua perdição.
De nada vale supérflua riqueza.
De nada serve o excesso,
A semente da tristeza.
O ser feliz não tem preço.
Ó Humanidade arrogante,
A mestria na tortura
Trilha os trilhos da amargura
Sob solo beligerante.
É o que te faz aviltante.
Ó constrangida Humanidade,
Em ser livre nada és.
És de ti mesma uma escrava
Submissa de lés-a-lés.
Isso assim não leva a nada,
O não creres na liberdade.
Ó ímpia Humanidade
Apregoas a justiça, defendes a alegria
Pois te veste a hipocrisia.
Preferes primar pela discórdia
Esquecendo a misericórdia
Nas sendas do dia-a-dia.
Ó Humanidade
Quão pesado é o fardo
Que te pesa em cada mão:
Discernir o bem do mal
Como forças da natureza
Num equilíbrio natural.
Anseias a Salvação.
Ó Humanidade, ainda há tempo!
Sérgio O. Marques
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domingo, 6 de abril de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
A primeira salvação
Sujeita dos olhos tristes, porque sorris
Quando a música deixou de ser a harmonia
Que encanta o coração e o enche de alegria,
Quando a vida já nada te diz?
Olhas nostálgica o firmamento
Onde as estrelas cessaram o brilho.
Lânguida trazes no pensamento
Saudosas memórias de alguém
Que, com carinho, te chamasse mãe
E, com ternura, lhe chamasses filho
No tempo em que ainda eras feliz!
Eu choraria, mas tu sorris.
Que te faz viver, que te faz andar?
Será o amor que tens p'ra dar?
É a força da preserverança,
São a fé e a esperança
Que te fazem alentar.
Sorris bem-aventurada
Pois no pranto foste consolada
E Ele veio p'ra te salvar.
Sérgio O. Marques
Quando a música deixou de ser a harmonia
Que encanta o coração e o enche de alegria,
Quando a vida já nada te diz?
Olhas nostálgica o firmamento
Onde as estrelas cessaram o brilho.
Lânguida trazes no pensamento
Saudosas memórias de alguém
Que, com carinho, te chamasse mãe
E, com ternura, lhe chamasses filho
No tempo em que ainda eras feliz!
Eu choraria, mas tu sorris.
Que te faz viver, que te faz andar?
Será o amor que tens p'ra dar?
É a força da preserverança,
São a fé e a esperança
Que te fazem alentar.
Sorris bem-aventurada
Pois no pranto foste consolada
E Ele veio p'ra te salvar.
Sérgio O. Marques
Etiquetas:
Esperança,
Melancolia,
Sentimental
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
O natal da esperança
Vagueio por entre a noite meditabunda
Nas recônditas ruas da memória.
Punge-me o gelo que a cada passo volvido
Me fere a face e mais me profunda
A anacrónica tristeza da minha história.
Continuo nesse inane deambular aborvido
Pelas sombras dos muros à luz da lua
Enquanto ignoro pálida esguia figura
Que me acena do outro lado da rua.
Sei que não estou sozinho, sinto-me só.
Esvoaça ao som do vento e, com brandura
Um branco manto abraça as pastagens
E acolhe em mãos, dos choupos as folhagens.
Encostada à parede queda-se a velha mó
Contando contos do tempo em tempos idos,
De pardrões e marcos há muito esquecidos
E dos escombros de monumentos erigidos.
Por cima, corisca translúcida janela
Em tragos que, com tímida claridade
Escutam da bruma a minha querela
E beijam a penumbra com suavidade.
Lá dentro rejubilam mélicos cantos
Numa cálida harmonia em voz de querubim.
Cá fora, tolhe-me o frio o árido peito
Encarcerando em meu ser mofino jeito.
São alegres porque são assim,
Penitentes mas fieis aos seus encantos.
Na lareira, púrpuras labaredas bailam
Ao som de etéreo ardor celestial
Do fogo da família no dia de natal.
Ao canto, dois gaiatos riem e brincam
Ditosos e repletos de ambição.
Dorme serena uma menina no regaço
Deleitando-se duma carícia doce como melaço.
É a candura do afago, o sorriso da criança
Que me resplandece o coração
Como o fúlgido sol quando brilha de verão.
Em anástase enlevo-me de esperança.
É esse súpero amor que me sacia
E me liberta em atroada euforia,
É esse humilde amor que me diz:
Se amares, vais ser feliz.
Sérgio O. Marques
Nas recônditas ruas da memória.
Punge-me o gelo que a cada passo volvido
Me fere a face e mais me profunda
A anacrónica tristeza da minha história.
Continuo nesse inane deambular aborvido
Pelas sombras dos muros à luz da lua
Enquanto ignoro pálida esguia figura
Que me acena do outro lado da rua.
Sei que não estou sozinho, sinto-me só.
Esvoaça ao som do vento e, com brandura
Um branco manto abraça as pastagens
E acolhe em mãos, dos choupos as folhagens.
Encostada à parede queda-se a velha mó
Contando contos do tempo em tempos idos,
De pardrões e marcos há muito esquecidos
E dos escombros de monumentos erigidos.
Por cima, corisca translúcida janela
Em tragos que, com tímida claridade
Escutam da bruma a minha querela
E beijam a penumbra com suavidade.
Lá dentro rejubilam mélicos cantos
Numa cálida harmonia em voz de querubim.
Cá fora, tolhe-me o frio o árido peito
Encarcerando em meu ser mofino jeito.
São alegres porque são assim,
Penitentes mas fieis aos seus encantos.
Na lareira, púrpuras labaredas bailam
Ao som de etéreo ardor celestial
Do fogo da família no dia de natal.
Ao canto, dois gaiatos riem e brincam
Ditosos e repletos de ambição.
Dorme serena uma menina no regaço
Deleitando-se duma carícia doce como melaço.
É a candura do afago, o sorriso da criança
Que me resplandece o coração
Como o fúlgido sol quando brilha de verão.
Em anástase enlevo-me de esperança.
É esse súpero amor que me sacia
E me liberta em atroada euforia,
É esse humilde amor que me diz:
Se amares, vais ser feliz.
Sérgio O. Marques
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