Escuta cada gemido cotundente
Provindo d'alguma catacumba escondida.
Sente o odor de cada urna,
Escaninho d'algo demente.
E essa dor é seu modo de vida.
-Danço lúgrube a valsa nocturna
Com lânguidos passos sob a luz da lua.
Sinto o cheiro do pavor e do medo
De quem me teme em me desconhecer.
Impregna-se este ódio frio em meu ser
Que me gela mórbido desde cedo.
Cresce-me, então, este sórdido desejo
Em lhes sorver o calor que os aquece,
Sacio-me do sangue com delicado beijo
Que me afaga e se me não esquece.
Mas é efémero esse raio de luz
E de novo s'abate a perdição,
Essa fome e essa sede que me seduz.
Deambulo só e há muito na escuridão.
Agora só me fere o rutilar do dia
E nada mais pode haver que m'alumie.
Vejo-o desta janela d'onde durmo
A bailar solitário hediondo
Deslizando suave sobre um ar soturno.
O luar resplandece e me escondo
Do seu olhar terrífico de petrificar.
Ele sabe que o observo e m'amedronta
Na esperança que adormeça para me matar.
Devo suprimi-lo antes que me encontre.
Apenas penso no que me fará, se me vir
No que me terá reservado se m'agarrar:
Beber-me o corpo, a carne haurir.
Espero impaciente o nascer da manhã
Portadora do majestoso sol matinal,
Portentoso desterro dos filhos do mal.
Amanhã estarei preparado. Amanhã!
Quem calcorreia os caminhos de dia
Olvida o silêncio da noite e a companhia
Da lua. Amar é a forma do ser mais pura,
Seja ao sol do dia, como à noite errante.
Sim! Porque um vampiro almeja a cura
Nem que seja por um breve instante.
Sérgio O. Marques
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Vem
Vem cá mulher bela
Pois o meu coração por ti clama
Vem cá, anda singela
Vem ver a quem te ama.
Vem ditosa, minha querida
Vem fermosa, minha vida
Encontrar a minha graça.
Vem já, vem ligeira
Vem agora que o tempo passa,
Vai e não volta atrás.
Vem aqui, p'ra minha beira
Abraçar este meu abraço
Que te tanto carinho traz.
Vem, pois tudo por ti faço.
Vem luz que m'alumia
Em cada dia que vai e vem
Vem dar-me voz, vem alegria
Vem e canta comigo também.
Vem mão de flores aos molhos
Vem paixão, vem sem demora
Vem acalmar meus olhos
Pois cada um só por ti chora.
Vem cá linda princesa
Vem graciar-me beleza
Vem fazer-me riso sincero,
Enquanto aguardo, desespero.
Vem fogo, vem calor
Vem candura, vem amor,
Vem comigo voar,
Vem, que te quero amar.
Sérgio O. Marques
Pois o meu coração por ti clama
Vem cá, anda singela
Vem ver a quem te ama.
Vem ditosa, minha querida
Vem fermosa, minha vida
Encontrar a minha graça.
Vem já, vem ligeira
Vem agora que o tempo passa,
Vai e não volta atrás.
Vem aqui, p'ra minha beira
Abraçar este meu abraço
Que te tanto carinho traz.
Vem, pois tudo por ti faço.
Vem luz que m'alumia
Em cada dia que vai e vem
Vem dar-me voz, vem alegria
Vem e canta comigo também.
Vem mão de flores aos molhos
Vem paixão, vem sem demora
Vem acalmar meus olhos
Pois cada um só por ti chora.
Vem cá linda princesa
Vem graciar-me beleza
Vem fazer-me riso sincero,
Enquanto aguardo, desespero.
Vem fogo, vem calor
Vem candura, vem amor,
Vem comigo voar,
Vem, que te quero amar.
Sérgio O. Marques
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Teu toque
Um teu toque inaudível
Perfumou-me a pele de cor,
Um colorido imperceptível,
Um arrepiar fervor.
Dobreio numa carta de amor
Bem junto do coração
E suspirei de contente.
Arrecadei-o para recordação,
Uma proxémica demente.
Não mais outra quis sentir,
Preservei indefinidamente
Esse fragor fulgir.
Numa redoma me fechei,
Isolei-me do resto de tudo
Para tê-lo só meu,
Teu efémero calor, gesto mudo.
Deixei de ver o céu.
Nesse encosto fui-te, mulher
Sou-te, bela e doce menina.
Afago guardado em caixa pequenina,
Essência de sofrer.
Sérgio O. Marques
Perfumou-me a pele de cor,
Um colorido imperceptível,
Um arrepiar fervor.
Dobreio numa carta de amor
Bem junto do coração
E suspirei de contente.
Arrecadei-o para recordação,
Uma proxémica demente.
Não mais outra quis sentir,
Preservei indefinidamente
Esse fragor fulgir.
Numa redoma me fechei,
Isolei-me do resto de tudo
Para tê-lo só meu,
Teu efémero calor, gesto mudo.
Deixei de ver o céu.
Nesse encosto fui-te, mulher
Sou-te, bela e doce menina.
Afago guardado em caixa pequenina,
Essência de sofrer.
Sérgio O. Marques
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Quadras de amor
De manhã, um beijo te deixo,
De tarde, te deixo um beijo.
O teu beijo num ensejo
Inflama-me o desejo.
Ilumina com pompa o ar
Um cometa cheio de luz.
É como o brilho do teu olhar
Que me enlouquece e seduz.
Arde-me este ardor tamanho
Que me inflama tão profundo
Pois o amor que te tenho
É do tamanho do mundo.
És pétalas de fina rosa
Num florescer matinal
Que deixa a rua cheirosa
Com fragrância sem igual.
O céu de estrelas se pinta
E a lua sorri contente
Sempre que te vejo tão linda
No meio de tanta gente.
És a mais bela flor
Que eu guardo em meu jardim
Regada com o teu amor
Que me faz feliz assim.
És minha doce paixão
Desde o dia em que te vi.
Trago-te no coração.
Ainda não te esqueci.
Se fosse eu pérola do mar
Azul profundo, terno leito,
Enfeitava um belo colar
Para tu trazeres ao peito.
Sérgio O. Marques
De tarde, te deixo um beijo.
O teu beijo num ensejo
Inflama-me o desejo.
Ilumina com pompa o ar
Um cometa cheio de luz.
É como o brilho do teu olhar
Que me enlouquece e seduz.
Arde-me este ardor tamanho
Que me inflama tão profundo
Pois o amor que te tenho
É do tamanho do mundo.
És pétalas de fina rosa
Num florescer matinal
Que deixa a rua cheirosa
Com fragrância sem igual.
O céu de estrelas se pinta
E a lua sorri contente
Sempre que te vejo tão linda
No meio de tanta gente.
És a mais bela flor
Que eu guardo em meu jardim
Regada com o teu amor
Que me faz feliz assim.
És minha doce paixão
Desde o dia em que te vi.
Trago-te no coração.
Ainda não te esqueci.
Se fosse eu pérola do mar
Azul profundo, terno leito,
Enfeitava um belo colar
Para tu trazeres ao peito.
Sérgio O. Marques
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Um doce fluir
Enebria a mente, a quinta essência
A fluir-te os chacras, carícia labial
De arrepiar a espinha. Bebes a demência
Dos meus lábios num beijo vaginal.
Cheiro-te o ânus e o corpo perfeito,
E mordo-te os seios firmes de paixão.
Esta lascívia que nos inflama o leito
Faz-me possuir-te como um furacão.
Assim vais gemendo gemidos de orgia
Até ao orgasmo, ejaculação, prazeria
Enquanto mordes a boca e se pára o tempo.
Aí sabes que num breve momento
És minha raínha num reino encantado.
No fim dormes com um sorriso alado.
Sérgio O. Marques
A fluir-te os chacras, carícia labial
De arrepiar a espinha. Bebes a demência
Dos meus lábios num beijo vaginal.
Cheiro-te o ânus e o corpo perfeito,
E mordo-te os seios firmes de paixão.
Esta lascívia que nos inflama o leito
Faz-me possuir-te como um furacão.
Assim vais gemendo gemidos de orgia
Até ao orgasmo, ejaculação, prazeria
Enquanto mordes a boca e se pára o tempo.
Aí sabes que num breve momento
És minha raínha num reino encantado.
No fim dormes com um sorriso alado.
Sérgio O. Marques
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Paixão negada
De sul o vento soprou forte
Em telhado levadio
Levou-te, amor, bem para norte,
Deixou-me o peito vazio.
Sei que não querias sentir
O que o teu coração sente
De nada te serve mentir
Pois o teu olhar não mente.
Sinto o teu pranto silente,
E em silêncio por mim clamas.
Por mim passas indiferente e
Nem assim, amor, me enganas.
Essa espada que me corta
Tem lâmina onde te feres.
A tua dor não me importa,
Não me tens porque não queres.
Sei que a tua boca quer,
De meus lábios, terno beijo
E em mil rosas se perder
Saciada de desejo.
Este é o fogo da paixão
Que nos faz ardor intenso.
É incúria da razão
Nos trazer sofrer imenso.
Cuido em te dizer assim
Desde o dia em que te vi:
Foste feita para mim,
Eu fui feito para ti.
Sérgio O. Marques
Em telhado levadio
Levou-te, amor, bem para norte,
Deixou-me o peito vazio.
Sei que não querias sentir
O que o teu coração sente
De nada te serve mentir
Pois o teu olhar não mente.
Sinto o teu pranto silente,
E em silêncio por mim clamas.
Por mim passas indiferente e
Nem assim, amor, me enganas.
Essa espada que me corta
Tem lâmina onde te feres.
A tua dor não me importa,
Não me tens porque não queres.
Sei que a tua boca quer,
De meus lábios, terno beijo
E em mil rosas se perder
Saciada de desejo.
Este é o fogo da paixão
Que nos faz ardor intenso.
É incúria da razão
Nos trazer sofrer imenso.
Cuido em te dizer assim
Desde o dia em que te vi:
Foste feita para mim,
Eu fui feito para ti.
Sérgio O. Marques
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Difícil amar
É mais fácil prosternar,
Construir a destruição
Dum afoito arruinar
Num feroz arrojo ao chão.
Difícil é ter a coragem
De, do nada, edificar
Alento e, com paixão
Voar, seguir viagem.
É mais fácil condenar
Fútil erro oco e vazio,
Vão engano, um tropeçar
Do destino gelado e frio.
Difícil é saber perdoar
Com imenso céu no coração
Um mesquinho atraiçoar
Preciso de redenção.
É mais fácil ferir,
Trazer a morte, o sofrimento,
Mutilar, fazer cair,
Causar descontentamento.
Difícil é poder salvar
Do mal a quem carece
De um abraço, é saber escutar
Duma lágrima, aflita prece.
É mais fácil odiar.
Difícil é amar.
Sérgio O. Marques
Construir a destruição
Dum afoito arruinar
Num feroz arrojo ao chão.
Difícil é ter a coragem
De, do nada, edificar
Alento e, com paixão
Voar, seguir viagem.
É mais fácil condenar
Fútil erro oco e vazio,
Vão engano, um tropeçar
Do destino gelado e frio.
Difícil é saber perdoar
Com imenso céu no coração
Um mesquinho atraiçoar
Preciso de redenção.
É mais fácil ferir,
Trazer a morte, o sofrimento,
Mutilar, fazer cair,
Causar descontentamento.
Difícil é poder salvar
Do mal a quem carece
De um abraço, é saber escutar
Duma lágrima, aflita prece.
É mais fácil odiar.
Difícil é amar.
Sérgio O. Marques
domingo, 8 de junho de 2008
Amor condenado
Um dia amei alguém.
Não me amava, amava outrem,
Que já não ama, ama-me a mim.
Porque tem a vida de ser
Tão complicada assim?
Não sabia o que sentir,
Se chorar, se queria rir,
Se a querer esquecer.
Definhei, extenuei,
Muitas lágrimas derramei,
O meu refúgio encontrei
No regaço de outro alguém.
Foi um amor enganado,
O nosso amor, amor danado,
Condenado à razão.
Não perdemos ocasião
Em entregar o coração,
Ainda nos desejarmos.
Nos amamos, nos amávamos,
Só então não nos quisemos.
Quiçá não nos merecíamos,
A querermo-nos merecer
Na paixão, no desejar
No nos querer, nos amar.
Sérgio O. Marques
Não me amava, amava outrem,
Que já não ama, ama-me a mim.
Porque tem a vida de ser
Tão complicada assim?
Não sabia o que sentir,
Se chorar, se queria rir,
Se a querer esquecer.
Definhei, extenuei,
Muitas lágrimas derramei,
O meu refúgio encontrei
No regaço de outro alguém.
Foi um amor enganado,
O nosso amor, amor danado,
Condenado à razão.
Não perdemos ocasião
Em entregar o coração,
Ainda nos desejarmos.
Nos amamos, nos amávamos,
Só então não nos quisemos.
Quiçá não nos merecíamos,
A querermo-nos merecer
Na paixão, no desejar
No nos querer, nos amar.
Sérgio O. Marques
terça-feira, 27 de maio de 2008
Viver pela verdade
O homem que vive pela verdade,
Conhece mais alto
Sente na alma a plenitude
Do céu, a humildade.
Iluminado,
Vislumbra o caminho da vida
Da escuridão à sã virtude
Há muito tempo esquecida.
É maior em seu ser,
Estar uno com o mundo,
Amar sem escolher,
Num se entregar profundo
Ao próximo, servir em submissão
E mesmo assim sorrir
A pureza de coração.
Um homem assim
Grande num amanhã porvir,
Não morrerá para o seu fim.
Viverá eternamente
Pois estará em paz plenamente.
Sérgio O. Marques
Conhece mais alto
Sente na alma a plenitude
Do céu, a humildade.
Iluminado,
Vislumbra o caminho da vida
Da escuridão à sã virtude
Há muito tempo esquecida.
É maior em seu ser,
Estar uno com o mundo,
Amar sem escolher,
Num se entregar profundo
Ao próximo, servir em submissão
E mesmo assim sorrir
A pureza de coração.
Um homem assim
Grande num amanhã porvir,
Não morrerá para o seu fim.
Viverá eternamente
Pois estará em paz plenamente.
Sérgio O. Marques
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Medo de viver
O medo é da carne a fraqueza,
A sua única doença, vil sazão.
A morte, da vida é natureza,
Não o seu mal ou perdição.
Acreditar, do espírito, a pureza,
Na alma que de vida o corpo alenta,
No amor, a Palavra que é o pão
Ânimo de liberdade, acalenta.
Sorvamos essa carne, esse sangue são
Sem recear morte que nos faz temer
Dissipemos o medo de viver.
Sérgio O. Marques
A sua única doença, vil sazão.
A morte, da vida é natureza,
Não o seu mal ou perdição.
Acreditar, do espírito, a pureza,
Na alma que de vida o corpo alenta,
No amor, a Palavra que é o pão
Ânimo de liberdade, acalenta.
Sorvamos essa carne, esse sangue são
Sem recear morte que nos faz temer
Dissipemos o medo de viver.
Sérgio O. Marques
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Suicídio
Desliza pela face em pranto
Uma lágrima cristalina
A tecer esbelto manto.
Traz no peito imensa dor
E na mão uma flor.
Como a chuva, cristalina,
Escorre pelo semblante
Uma lágrima pura e fina
Do mais vivo diamante.
Traz na mão uma flor
Para dar ao seu amor.
Uma lágrima fina e pura
A lembrar tanta amargura.
Queda-se ali e ali vem
Dia a dia, mais ninguém.
Só, se esvai em pleno choro.
Traz na mão uma flor.
Desejava jazer morto
Como jaz o seu amor
Desde o dia aziago.
Traz um punhal afiado
E na mão uma flor
Para dar ao seu amor.
Ali expira ao seu lado,
No peito, o punhal afiado
E na mão uma flor
Bem ao pé do seu amor.
Uma lágrima cristalina
A tecer esbelto manto.
Traz no peito imensa dor
E na mão uma flor.
Como a chuva, cristalina,
Escorre pelo semblante
Uma lágrima pura e fina
Do mais vivo diamante.
Traz na mão uma flor
Para dar ao seu amor.
Uma lágrima fina e pura
A lembrar tanta amargura.
Queda-se ali e ali vem
Dia a dia, mais ninguém.
Só, se esvai em pleno choro.
Traz na mão uma flor.
Desejava jazer morto
Como jaz o seu amor
Desde o dia aziago.
Traz um punhal afiado
E na mão uma flor
Para dar ao seu amor.
Ali expira ao seu lado,
No peito, o punhal afiado
E na mão uma flor
Bem ao pé do seu amor.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
A segunda salvação
Quem abraça um indigente
Como se fosse um irmão,
É ser grande de coração.
Feliz de quem é clemente,
Feliz de quem vive na indulgência
E espera com paciência
A sensata justiça divina.
Será ditosa a sua sina.
Grande é o servo
Que podia ser amo,
Bem-aventurado na humildade
Pois está bem perto da verdade.
Vence do caminho a dureza,
Mas verá a sua beleza.
Denodado, quem oferece
A face, ama o inimigo
Para lá do impiedoso pungido,
Ainda assim se compadece.
Verá o esplendor,
A transcendência do amor.
Como se fosse um irmão,
É ser grande de coração.
Feliz de quem é clemente,
Feliz de quem vive na indulgência
E espera com paciência
A sensata justiça divina.
Será ditosa a sua sina.
Grande é o servo
Que podia ser amo,
Bem-aventurado na humildade
Pois está bem perto da verdade.
Vence do caminho a dureza,
Mas verá a sua beleza.
Denodado, quem oferece
A face, ama o inimigo
Para lá do impiedoso pungido,
Ainda assim se compadece.
Verá o esplendor,
A transcendência do amor.
domingo, 11 de maio de 2008
Minha doce amada
A minha linda amada
Sublime beleza,
Maravilha da natureza
Encanta, a encantada.
O meu belo amor
Chama ardente,
Dança impaciente
Arde com ardor.
A minha enaltecida paixão
Esbelta escultura
Duma arte futura
Entoa inspiração.
A minha doce vida
Soberba harmonia
Aroma a maresia
Marulha, minha querida.
Marulha, entretida
Com inocente euforia
Onde adormeço e me perco
De tão perto e desperto.
Sérgio O. Marques
Sublime beleza,
Maravilha da natureza
Encanta, a encantada.
O meu belo amor
Chama ardente,
Dança impaciente
Arde com ardor.
A minha enaltecida paixão
Esbelta escultura
Duma arte futura
Entoa inspiração.
A minha doce vida
Soberba harmonia
Aroma a maresia
Marulha, minha querida.
Marulha, entretida
Com inocente euforia
Onde adormeço e me perco
De tão perto e desperto.
Sérgio O. Marques
Saber ser
Saber voar
Com pés assentes em terra
Saber lutar
Sem ter de ser em guerra
Saber ouvir
Quem espera impaciente por falar
Saber abrir
A mente que se acaba de fechar
Saber ofertar
O que de mais valioso temos
Saber libertar
Tudo aquilo que para nós queremos
Saber ver
Aquilo que está para lá de cá
Saber receber
O que vem de lá para cá
Saber precipitar
Num abraço desconhecido
Saber amar
Com a coragem de um destemido
É saber ser maior
É estar mais alto
É do frio sentir calor
É chegar ao céu num salto
Sérgio O. Marques
Com pés assentes em terra
Saber lutar
Sem ter de ser em guerra
Saber ouvir
Quem espera impaciente por falar
Saber abrir
A mente que se acaba de fechar
Saber ofertar
O que de mais valioso temos
Saber libertar
Tudo aquilo que para nós queremos
Saber ver
Aquilo que está para lá de cá
Saber receber
O que vem de lá para cá
Saber precipitar
Num abraço desconhecido
Saber amar
Com a coragem de um destemido
É saber ser maior
É estar mais alto
É do frio sentir calor
É chegar ao céu num salto
Sérgio O. Marques
quarta-feira, 16 de abril de 2008
O beijo duma flor
Cheiro-te, flor.
As tuas pétalas ardentes
São rosas que brotam do meu amor
O perfume dos teus lábios quentes.
O teu sorriso aquece
A certeza do meu desejo
De cerúleos miosotes,
Dum doce gosto amargo que não se esquece
Perdido no beijo, o ensejo.
A tua voz em verso
Desenvolta em delicadas gloses
Ao vento, um segredo disperso
Canta em serenas melodias
E só eu as sei ouvir.
Lindos lírios purpúreos
Como lágrimas cristalinas, luzidias,
Singelas gotas de chuva a cair
Suave sobre campos popúleos
Cobrem o chão de cravos e papoulas
Coloridas no teu corpo perfeito.
És ninfa sobre o meu leito
Valerosa, entre guerreiras afoutas
Vindouras duma paz erguida,
Mensageiras do amanhecer.
Dás-me força, dás-me vida
Rejubilas o meu ser.
Sérgio O. Marques
As tuas pétalas ardentes
São rosas que brotam do meu amor
O perfume dos teus lábios quentes.
O teu sorriso aquece
A certeza do meu desejo
De cerúleos miosotes,
Dum doce gosto amargo que não se esquece
Perdido no beijo, o ensejo.
A tua voz em verso
Desenvolta em delicadas gloses
Ao vento, um segredo disperso
Canta em serenas melodias
E só eu as sei ouvir.
Lindos lírios purpúreos
Como lágrimas cristalinas, luzidias,
Singelas gotas de chuva a cair
Suave sobre campos popúleos
Cobrem o chão de cravos e papoulas
Coloridas no teu corpo perfeito.
És ninfa sobre o meu leito
Valerosa, entre guerreiras afoutas
Vindouras duma paz erguida,
Mensageiras do amanhecer.
Dás-me força, dás-me vida
Rejubilas o meu ser.
Sérgio O. Marques
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Sonho
domingo, 23 de março de 2008
Amar
Amar é saber ser
E a alegria de existir.
É a vontade de querer,
Em ser feliz, poder servir.
Amar, em si, a vida é
Como é de si forma mais bela
E dá-la mesma por outra ela
Num excelso enlevo de boa-fé.
É o desígnio da verdade
Da deidade, o esplendor.
É a derradeira liberdade
Sem condição, é ser amor.
Sérgio O. Marques
E a alegria de existir.
É a vontade de querer,
Em ser feliz, poder servir.
Amar, em si, a vida é
Como é de si forma mais bela
E dá-la mesma por outra ela
Num excelso enlevo de boa-fé.
É o desígnio da verdade
Da deidade, o esplendor.
É a derradeira liberdade
Sem condição, é ser amor.
Sérgio O. Marques
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Liberdade, Igualdade e Fraternidade
Somos diferentes na mesma essência,
No mesmo intento, na mesma carência,
Nos mesmos prantos, nos mesmos risos,
No mesmo desdém, na mesma complacência.
Somos o mesmo no que nos torna vivos.
Somos diferentes no mesmo coração,
Na mesma prece, na mesma oração
Na mesma ânsia, na mesma calma,
No mesmo desânimo e na mesma aspiração.
Somos o mesmo no que nos vai na alma.
Somos diferentes na mesma arte,
Na mesma música e em qualquer parte,
Na mesma filosofia e na mesma ciência.
Com alegria, fazer da paz nosso estandarte
É enaltecer da humanidade a sapiência.
Somos diferentes no mesmo porvir,
No mesmo amor que nos devia unir,
Na mesma igualdade, na mesma liberdade.
Somos o mesmo na virtude que o devir
Designará aos povos, a fraternidade.
No mesmo intento, na mesma carência,
Nos mesmos prantos, nos mesmos risos,
No mesmo desdém, na mesma complacência.
Somos o mesmo no que nos torna vivos.
Somos diferentes no mesmo coração,
Na mesma prece, na mesma oração
Na mesma ânsia, na mesma calma,
No mesmo desânimo e na mesma aspiração.
Somos o mesmo no que nos vai na alma.
Somos diferentes na mesma arte,
Na mesma música e em qualquer parte,
Na mesma filosofia e na mesma ciência.
Com alegria, fazer da paz nosso estandarte
É enaltecer da humanidade a sapiência.
Somos diferentes no mesmo porvir,
No mesmo amor que nos devia unir,
Na mesma igualdade, na mesma liberdade.
Somos o mesmo na virtude que o devir
Designará aos povos, a fraternidade.
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
O natal da esperança
Vagueio por entre a noite meditabunda
Nas recônditas ruas da memória.
Punge-me o gelo que a cada passo volvido
Me fere a face e mais me profunda
A anacrónica tristeza da minha história.
Continuo nesse inane deambular aborvido
Pelas sombras dos muros à luz da lua
Enquanto ignoro pálida esguia figura
Que me acena do outro lado da rua.
Sei que não estou sozinho, sinto-me só.
Esvoaça ao som do vento e, com brandura
Um branco manto abraça as pastagens
E acolhe em mãos, dos choupos as folhagens.
Encostada à parede queda-se a velha mó
Contando contos do tempo em tempos idos,
De pardrões e marcos há muito esquecidos
E dos escombros de monumentos erigidos.
Por cima, corisca translúcida janela
Em tragos que, com tímida claridade
Escutam da bruma a minha querela
E beijam a penumbra com suavidade.
Lá dentro rejubilam mélicos cantos
Numa cálida harmonia em voz de querubim.
Cá fora, tolhe-me o frio o árido peito
Encarcerando em meu ser mofino jeito.
São alegres porque são assim,
Penitentes mas fieis aos seus encantos.
Na lareira, púrpuras labaredas bailam
Ao som de etéreo ardor celestial
Do fogo da família no dia de natal.
Ao canto, dois gaiatos riem e brincam
Ditosos e repletos de ambição.
Dorme serena uma menina no regaço
Deleitando-se duma carícia doce como melaço.
É a candura do afago, o sorriso da criança
Que me resplandece o coração
Como o fúlgido sol quando brilha de verão.
Em anástase enlevo-me de esperança.
É esse súpero amor que me sacia
E me liberta em atroada euforia,
É esse humilde amor que me diz:
Se amares, vais ser feliz.
Sérgio O. Marques
Nas recônditas ruas da memória.
Punge-me o gelo que a cada passo volvido
Me fere a face e mais me profunda
A anacrónica tristeza da minha história.
Continuo nesse inane deambular aborvido
Pelas sombras dos muros à luz da lua
Enquanto ignoro pálida esguia figura
Que me acena do outro lado da rua.
Sei que não estou sozinho, sinto-me só.
Esvoaça ao som do vento e, com brandura
Um branco manto abraça as pastagens
E acolhe em mãos, dos choupos as folhagens.
Encostada à parede queda-se a velha mó
Contando contos do tempo em tempos idos,
De pardrões e marcos há muito esquecidos
E dos escombros de monumentos erigidos.
Por cima, corisca translúcida janela
Em tragos que, com tímida claridade
Escutam da bruma a minha querela
E beijam a penumbra com suavidade.
Lá dentro rejubilam mélicos cantos
Numa cálida harmonia em voz de querubim.
Cá fora, tolhe-me o frio o árido peito
Encarcerando em meu ser mofino jeito.
São alegres porque são assim,
Penitentes mas fieis aos seus encantos.
Na lareira, púrpuras labaredas bailam
Ao som de etéreo ardor celestial
Do fogo da família no dia de natal.
Ao canto, dois gaiatos riem e brincam
Ditosos e repletos de ambição.
Dorme serena uma menina no regaço
Deleitando-se duma carícia doce como melaço.
É a candura do afago, o sorriso da criança
Que me resplandece o coração
Como o fúlgido sol quando brilha de verão.
Em anástase enlevo-me de esperança.
É esse súpero amor que me sacia
E me liberta em atroada euforia,
É esse humilde amor que me diz:
Se amares, vais ser feliz.
Sérgio O. Marques
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Cor
Tudo o que te envolve tem cor, tem magia.
Vê o negro céu que de azul se pinta
Celebrando a alvorada ao raiar do dia
E como enrubesce quando a tarde finda.
Olha a ufania das árvores que o verde manto
Adornam com pontilhados de várias cores:
Amarelas, vermelhas, róseas, cianas flores.
Sabem tirar da cor, tamanho encanto.
Sente os raios do sol que nas manhãs frias
Te beijam num suave afago, sente o ardor.
Sente, porque bem sentes que tudo isso é cor.
Sabe que até mesmo a noite de cor se enfeita
Para dar alegria à vida, lhe dar valor,
Sabe que a vida se cora toda de amor.
Sérgio O. Marques
Vê o negro céu que de azul se pinta
Celebrando a alvorada ao raiar do dia
E como enrubesce quando a tarde finda.
Olha a ufania das árvores que o verde manto
Adornam com pontilhados de várias cores:
Amarelas, vermelhas, róseas, cianas flores.
Sabem tirar da cor, tamanho encanto.
Sente os raios do sol que nas manhãs frias
Te beijam num suave afago, sente o ardor.
Sente, porque bem sentes que tudo isso é cor.
Sabe que até mesmo a noite de cor se enfeita
Para dar alegria à vida, lhe dar valor,
Sabe que a vida se cora toda de amor.
Sérgio O. Marques
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Cálida harmonia
Em cima do piano pia o pássaro:
- piu, piu!
Doces melodias leva o vento
numa carícia às pradarias.
Alguém ouviu...
Quente ficou o coração frio,
quebrou-se o desalento,
e soltou-se o pensamento
de quem é preso em liberdade.
De onde vem bela harmonia
que adoça o puro mel?
Traz mensagem de equidade
e justiça colorida
desenhada num papel.
Em cima do piano o pássaro pia,
cantando, inocente, o cantor
lindas odes de alegria
em versos maduros de amor.
Sérgio O. Marques
- piu, piu!
Doces melodias leva o vento
numa carícia às pradarias.
Alguém ouviu...
Quente ficou o coração frio,
quebrou-se o desalento,
e soltou-se o pensamento
de quem é preso em liberdade.
De onde vem bela harmonia
que adoça o puro mel?
Traz mensagem de equidade
e justiça colorida
desenhada num papel.
Em cima do piano o pássaro pia,
cantando, inocente, o cantor
lindas odes de alegria
em versos maduros de amor.
Sérgio O. Marques
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