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terça-feira, 6 de maio de 2008

Do sonho ao mito

Do sonho nasce o mito,
As fantásticas diegeses
De viagens e apoteoses
A oscular o infinito.

No sonho, o encanto
Misteriosas criaturas
Cria, estende o manto
A lautas sãs bravuras
De lutas sem guerra.
Cobre de branco a Terra
Com tanger dum canto brando.

Do mito, cresce o sonho
Ora afável, ora medonho.
Alucinam-se efemérides
Por entre dédalos e labirintos
Talhados em finas égides
Sob a essência da mente
Aquando de si insciente.

Sérgio O. Marques

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O beijo duma flor

Cheiro-te, flor.
As tuas pétalas ardentes
São rosas que brotam do meu amor
O perfume dos teus lábios quentes.
O teu sorriso aquece
A certeza do meu desejo
De cerúleos miosotes,
Dum doce gosto amargo que não se esquece
Perdido no beijo, o ensejo.
A tua voz em verso
Desenvolta em delicadas gloses
Ao vento, um segredo disperso
Canta em serenas melodias
E só eu as sei ouvir.
Lindos lírios purpúreos
Como lágrimas cristalinas, luzidias,
Singelas gotas de chuva a cair
Suave sobre campos popúleos
Cobrem o chão de cravos e papoulas
Coloridas no teu corpo perfeito.
És ninfa sobre o meu leito
Valerosa, entre guerreiras afoutas
Vindouras duma paz erguida,
Mensageiras do amanhecer.
Dás-me força, dás-me vida
Rejubilas o meu ser.

Sérgio O. Marques

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O sonho

Mergulho inconstante em lagos esféricos
Escorridos de mercúricos malmequeres
Respirando a água que não me afoga em séricos
Fios doirados de cetim em recantos édenes.

Voo, irmão do vento, perdido nas núvens
Galgando vertiginosa aceleração
Rejubilada do afecto de muitas mães.
Possuo o mundo na palma da minha mão.

Sou as árvores, sou a terra e os mares.
Sou os caminhos inundados de prazer.
Sou o sol que não teme em te acolher.

E ali estás tu, rútila de assombrar
Iluminando o dia, quando de súbito
Acordo para a vida, estava a sonhar.

Sérgio O. Marques