Conforme o comentário que fiz no poema Liberdade, Igualdade e Fraternidade, decidi escrever um "poema de merda" para quem não gosta de outra coisa.
Gente portuguesa
Cantinho de gente lerda
Que, presumida de sagaz,
Só consegue fazer merda
Para além da merda que faz.
Outra tanta mais matreira,
De emigrantes do momento
Agarram na merda estrangeira
E trazem-na portas adentro.
Olha, grande país de merda
Duma merda sem igual
A qual todo um povo degreda
Na merda de Portugal.
Uma poia mal cheirosa,
A selecção nacional
É demasiado pastosa
Para limpar com jornal.
Mas que palavra sonora
("Merda") para fazer poemas.
Come-se sempre e a toda a hora
Ainda se usa em esquemas.
Que lindas obras de arte
De artistas geniais.
É merda por toda a parte
Cagalhões e muito mais.
Toda a gente junta a cagar
De mãos dadas, no mesmo instante
Fazia-se de merda um mar
Para navegar o infante.
Para quem estas linhas ler
E se pensa pessoa esperta,
Aproveito para dizer:
"Quem não gostar, coma merda".
Um poema de merda para os merdosos. Desculpem-me os outros qualquer coisa.
Sérgio O. Marques
segunda-feira, 5 de maio de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
Mulheres imorais
Libidinosas
Mulheres imorais
Vil beleza
Bebem da carne a fraqueza
Pecados mortais
Voluptuosas
Mulheres lascivas
Soberanas da libido
Amoldam divas
Doce perigo
Deliciosas
Mulheres bem feitas
Sabor sensual
São curvas perfeitas
Pecado original
Vaidosas
Mulheres ousadas
Vestem fino ouro
Ninfas namoradas
Um tesouro
Preciosas
Mulheres ladinas
Andar coleante
Torna-se delirante
Extasiantes meninas
Venenosas
Mulheres sedutoras
Musas tentadoras
Ferem o coração
Com o beijo da traição
Sérgio O. Marques
Mulheres imorais
Vil beleza
Bebem da carne a fraqueza
Pecados mortais
Voluptuosas
Mulheres lascivas
Soberanas da libido
Amoldam divas
Doce perigo
Deliciosas
Mulheres bem feitas
Sabor sensual
São curvas perfeitas
Pecado original
Vaidosas
Mulheres ousadas
Vestem fino ouro
Ninfas namoradas
Um tesouro
Preciosas
Mulheres ladinas
Andar coleante
Torna-se delirante
Extasiantes meninas
Venenosas
Mulheres sedutoras
Musas tentadoras
Ferem o coração
Com o beijo da traição
Sérgio O. Marques
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Estas palavras
As palavras aqui apostas
Advêm de impulsos difusos
Um tanto ou quanto confusos
De cerebrais funções compostas
Sob a capa dum momento
A fluir no espaço-tempo.
E são a termodinâmica,
Química e física quântica
Que são fruto dos impulsos
Que intentam de explicar:
Uns calmos outros convulsos
Ou até de estropiar.
Outros impulsos estas lerão,
As palavras que aqui estão.
Acabam por começar
A mais impulsos gerar
No sabor doutro momento
Noutra cabeça, noutro tempo.
São os sinais da inteligência
A moer na consciência,
A falar ao coração
De quem as lê com atenção.
Sérgio O. Marques
Advêm de impulsos difusos
Um tanto ou quanto confusos
De cerebrais funções compostas
Sob a capa dum momento
A fluir no espaço-tempo.
E são a termodinâmica,
Química e física quântica
Que são fruto dos impulsos
Que intentam de explicar:
Uns calmos outros convulsos
Ou até de estropiar.
Outros impulsos estas lerão,
As palavras que aqui estão.
Acabam por começar
A mais impulsos gerar
No sabor doutro momento
Noutra cabeça, noutro tempo.
São os sinais da inteligência
A moer na consciência,
A falar ao coração
De quem as lê com atenção.
Sérgio O. Marques
Sistema I
A história caótica do espaço de fase
Aumenta a incerteza da trajectória
Do sistema, dinâmico, sem memória.
Assente a posição, fica o momento sem base.
Certo o momento, incerta a posição,
O estado actual perde a razão.
Quando se pretende saber o que passa
Toda a sua descrição colapsa,
A partir da qual, nova situação.
E lá vai o sistema esquecido
Do que havia acontecido.
Sérgio O. Marques
Aumenta a incerteza da trajectória
Do sistema, dinâmico, sem memória.
Assente a posição, fica o momento sem base.
Certo o momento, incerta a posição,
O estado actual perde a razão.
Quando se pretende saber o que passa
Toda a sua descrição colapsa,
A partir da qual, nova situação.
E lá vai o sistema esquecido
Do que havia acontecido.
Sérgio O. Marques
A censura silenciosa
A dor profusa no silêncio adormecido
Escorre ímpia numa dança mirabolante
Corpo acima. Segreda-nos ao ouvido
Vãs promessas dum amanhecer distante
Turvo num auguro oco de sentido.
Serpeia suave, delineia carícia ardil,
Engoda, engana, tolha, torna infantil
O discernimento, a certeza do se ser.
Sou surdo em a ouvir, sou cego em a ver,
Sou triste se com ela me sinto bem.
Quero de mim ser senhor, ser pensante,
Quero pensar mais alto, ir mais além,
Viver humilde num mundo honesto,
Num mundo nú, despido de proveito.
Viça-se silente a preceito,
Nas trevas cresce, aumenta lentamente.
Os seus tentáculos parasitários estende
Para nos abraçar, para nos tragar
E nos tirar a vida sem darmos conta.
É cruel tirana da escravatura,
Trazendo a democracia na boca,
Afã da penúria, amiga da amargura.
Numa mão, traz flores de maravilhar;
Na outra, um punhal para nos matar
E na terceira, um dedo que nos aponta,
Que nos acusa de sermos pobres
com pregões de valores nobres.
Aperta e cinge, vil afronta
Como é hipócrita, como é louca.
Ela, que nos conhece plenamente
Mas nada é sem nós, felizmente.
Ardilosa, faz-nos acreditar e descrer
À sua vontade, a seu bel-prazer
Moldando arbítrios sob falsa moral.
Dissimula de ciência a técnica
Sem qualquer máxima, sem qualquer ética,
Engodo apêlo, engano sentimental,
Hasteia bem alto a bandeira da salvação
Sempre que semeia o terror, a destruição.
Impinge a fome e depois sacia,
É déspota e mártir da sua própria ira
Num áspero afago com mão macia
Que nos prende a consciência,
Porque tudo o que é, é mentira.
Sérgio O. Marques
Escorre ímpia numa dança mirabolante
Corpo acima. Segreda-nos ao ouvido
Vãs promessas dum amanhecer distante
Turvo num auguro oco de sentido.
Serpeia suave, delineia carícia ardil,
Engoda, engana, tolha, torna infantil
O discernimento, a certeza do se ser.
Sou surdo em a ouvir, sou cego em a ver,
Sou triste se com ela me sinto bem.
Quero de mim ser senhor, ser pensante,
Quero pensar mais alto, ir mais além,
Viver humilde num mundo honesto,
Num mundo nú, despido de proveito.
Viça-se silente a preceito,
Nas trevas cresce, aumenta lentamente.
Os seus tentáculos parasitários estende
Para nos abraçar, para nos tragar
E nos tirar a vida sem darmos conta.
É cruel tirana da escravatura,
Trazendo a democracia na boca,
Afã da penúria, amiga da amargura.
Numa mão, traz flores de maravilhar;
Na outra, um punhal para nos matar
E na terceira, um dedo que nos aponta,
Que nos acusa de sermos pobres
com pregões de valores nobres.
Aperta e cinge, vil afronta
Como é hipócrita, como é louca.
Ela, que nos conhece plenamente
Mas nada é sem nós, felizmente.
Ardilosa, faz-nos acreditar e descrer
À sua vontade, a seu bel-prazer
Moldando arbítrios sob falsa moral.
Dissimula de ciência a técnica
Sem qualquer máxima, sem qualquer ética,
Engodo apêlo, engano sentimental,
Hasteia bem alto a bandeira da salvação
Sempre que semeia o terror, a destruição.
Impinge a fome e depois sacia,
É déspota e mártir da sua própria ira
Num áspero afago com mão macia
Que nos prende a consciência,
Porque tudo o que é, é mentira.
Sérgio O. Marques
terça-feira, 29 de abril de 2008
O porco e o cordeiro
Caminhavam o porco e o cordeiro.
Lado a lado,
Seguiam com passo certeiro.
Dizia o cordeiro animado:
- Hoje o dia correu-me bem
E o trabalho foi de vento em popa!
O porco, com um sorriso forçado
A alindar tão fina roupa
Escondia do pobre o desdém.
É rico mas vive triste.
De mansinho com o punho em riste,
Com ligeiro movimento
Acerta-lhe na nuca um bofetão.
-De onde veio a agressão?
-Foi o vento, meu amigo, foi o vento!
O que depois se passou... não sei,
Não posso acrescentar mais nada.
Sei porém que o porco é rei
No reino da bicharada.
Sérgio O. Marques
Lado a lado,
Seguiam com passo certeiro.
Dizia o cordeiro animado:
- Hoje o dia correu-me bem
E o trabalho foi de vento em popa!
O porco, com um sorriso forçado
A alindar tão fina roupa
Escondia do pobre o desdém.
É rico mas vive triste.
De mansinho com o punho em riste,
Com ligeiro movimento
Acerta-lhe na nuca um bofetão.
-De onde veio a agressão?
-Foi o vento, meu amigo, foi o vento!
O que depois se passou... não sei,
Não posso acrescentar mais nada.
Sei porém que o porco é rei
No reino da bicharada.
Sérgio O. Marques
terça-feira, 22 de abril de 2008
Segue adiante
Segue, meu amigo, adiante.
Para trás fica a dor lacinante
Do tempo perdido, da luta travada
Na arbórea ladeira escarpada.
Segue com coragem de vencedor,
Abre o teu caminho sobre cerrada
Aflição, vence à noite o temor,
Corre, que a hora já vai adiantada.
Segue, que, de tão longe, tão perto
Está o destino. Quase lhe toco.
Avança! Que lá chegar é certo.
O dia alumia enquanto desistir jamais
Será opção. Anda, pois correr é pouco.
Segue adiante que recuar não dá mais.
Sérgio O. Marques
Para trás fica a dor lacinante
Do tempo perdido, da luta travada
Na arbórea ladeira escarpada.
Segue com coragem de vencedor,
Abre o teu caminho sobre cerrada
Aflição, vence à noite o temor,
Corre, que a hora já vai adiantada.
Segue, que, de tão longe, tão perto
Está o destino. Quase lhe toco.
Avança! Que lá chegar é certo.
O dia alumia enquanto desistir jamais
Será opção. Anda, pois correr é pouco.
Segue adiante que recuar não dá mais.
Sérgio O. Marques
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