terça-feira, 2 de março de 2010

O cão que queria voar

No sopé de uma encosta
Já sem vida, o cão piloto,
Resgatei-o (ao cão) já morto.

Na cauda amarrava um leme
Com fio fino de norte.
De papel eram as asas
Reforçadas pelas abas
Com placas de fibra forte
Duma liga ultra-leve.
Era presa numa haste,
Nas costas, a ventoínha
E para evitar o desgaste
Segurava-a uma linha.
Nos olhos, um par de lentes
Em óculos de ciclista
Protegiam-no, defendentes,
Do vento que faz na pista.
Com uma boina na cabeça,
Parecendo um aviador
Batia ferozmente as asas,
Sem ser preciso motor
Ou algo que se pareça.
Nas patas, uns rolamentos
Serviam para a aterragem
E, para a grande viagem,
Um saco com mantimentos.
Com o pêlo penteado,
Um sorriso tão brilhante
E um ar bem asseado
Levou o seu sonho avante:

Num balanço, atirou-se
Duma escarpa, pelo ar.

Oh tristeza! Estatelou-se!
O cão que queria voar.

1 comentário:

Olhar Meu disse...

Aposto que era o sonho de qualquer cão...VOAR...Só me pergunto, o que caçaria então o homem?

Bjo
Fatima