terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Medito

Entrego-me ao pensamento.
Exógenos ruídos são leve zuir.
Esqueço o tempo, cada momento,
Deixo a calmia fluir
Como um rio sem ondas ao mar
Cujas águas, em cada margem,
Se aninham a descansar.
Sigo numa estranha viagem
Por um longo caminho inane,
Sem odor, sem sabor, sem paisagem,
Repleto de um vazio imane.
Não há noite, não há tarde, não há manhã
Onde a luz e a treva são mera vacuidade
Dum mundo em disputa vã
Entre o bem e o mal; a mentira e a verdade.
Enche-se-me de paz o coração.
Não sei se bate, pois deixou de ser,
Já tão longe da emoção.
A cor? Deixei de ver.
A canção? Deixei de ouvir.
O sabor? Deixou-se-me de saber.
O cheiro? Deixei de cheirar.
O sentimento? Deixou-se-me de sentir
Como o tacto que me faz tocar.
Somente medito.

1 comentário:

Olhar Meu disse...

"Meditar é preciso"
eu repouso aqui muitas vezes, hoje fico também a meditar.

Bjo
Fatima