segunda-feira, 14 de junho de 2010

Filho da guerra

Com o seu escolvilhão,
Limpa o cano do mosquete.
Aponta e dispara, o jovem cadete,
Um tiro certeiro no coração.
Abate-se a morte sobre o rapaz
Que cai, sem vida, no chão.
Ouve-se o som ribombante e mordaz
Do uivo rouco e macabro de um canhão
Abafando os gemidos de dor
De quem foge aterrorizado
Às cruéis garras do terror.
Jorra, do corpo, o sangue
Sobre o musgo molhado
E um branco malmequer perdido.
Não tarda, acaba exangue,
Por ali apodrece esquecido,
Entregue à terra,
Quem, outrora, foi alguém.
Ali, agora, é ninguém,
Mais um filho da guerra.

2 comentários:

DarkViolet disse...

Bonita história, mais uma. Tens um dom especial para este tipo de escrita, sem dúvida nenhuma

Fatima disse...

Intenso este teu poema...as tuas palavras são sempre marcantes
um beijo,

Fatima